Por: Wagner Borella
Quando Marcela entrou na sala de aula, Fernando olhou-a no fundo de seus olhos e ficou encantado com a beleza da moça. Cabelos loiros e encaracolados, olhos verdes, pele alva e suave, imaginou-se ao lado dela, imaginou-se feliz andando na beira do mar de mãos dadas. “Felizes para sempre”.
Passou-se o primeiro semestre e Fernando ainda não tinha tomado coragem de conversar com Marcela. Reparou nesse primeiro semestre que os mesmos olhos que o encantaram também deixaram-no curioso, Marcela era linda, mas trazia em seu rosto um olhar triste. Por que uma mulher com aquela beleza parecia ser tão infeliz? Não tinha amigos, não conversava com ninguém, era solitária...
Quando o professor passou um seminário ouviu pela primeira vez a voz dela, passou a noite em claro tentando reconstituir em sua memória aquela voz tão angelical. Era feliz assim, com um amor platônico, era feliz simplesmente por vê-la todos os dias.
No dia 26 reparou na ausência da sua amada, e assim se seguiu nos outros dias em que ela não foi, resolveu ir a secretária perguntar por ela, quase caiu falecido quando ouviu da secretária dizer que o seu amor platônico havia amarrado uma corda ao pescoço e suicidado-se.
Viajou 15 horas de ônibus até a paróquia onde tinha feito a promessa de só retornar quando fosse um grande advogado. Fechou os olhos e pediu com a fé mais fervorosa por uma segunda chance para mudar o destino dela e dele.
Quando abriu os olhos...
Entrava pela porta da sala de aula uma garota linda de olhos verdes e cabelos loiros e encaracolados, ela também reparou nele e sentou-se ao seu lado e disse:
- Uma segunda chance a ti foi concebida, aproveite, pois a humanidade vive implorando por uma segunda chance, mas poucos conseguem essa honra. Meu nome é Marcela, hoje meus olhos são tristes, mas um dia foram felizes. Guardo os mais tristes sentimentos no meu coração, as flores não vivem mais em minhas primaveras, o céu é cinza a vida é cinza, meu coração é sombrio, quando amarrei aquela corda em meu pescoço lembrei do seu olhar secretamente me observando, consegui sentir seu perfume sem nunca ter estado próxima de você, mas fui covarde, escolhi não enfrentar um novo amor. Quando cheguei a há uma porta enorme com uma luz forte em volta, consegui ouvir suas preces, e como você, também tive a minha segunda chance. Hoje e para sempre; meu coração é seu...Minha alma é sua.
“Um minuto passa e se sorri,
Um minuto passa e chora-se,
Mas reparei que os minutos continuam passando.
O tempo continua com seu tic tac implacável.
Sentir cada minuto é necessário.
É obrigatório ser feliz, talvez a segunda chance não venha.
E serás infeliz, faça agora, diga agora.
Tic... tac... o tempo continua,
adversário cruel,
Não te dará outra chance,
Mais um minuto se foi...
Vá em busca de seus sonhos. Seja feliz...”
domingo, 28 de setembro de 2008
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