Foto da avenida São João em 1940
por Wagner Borella“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi” (1)
E o que será que Caetano Veloso não entendeu? O que será que era tão complexo em “Sampa” que o fez compor essa música.Eu tenho uma suposição: Caetano Veloso andava radiante pela Cidade de São Paulo, quando cruzou as duas avenidas e “pimba”!!!Eis que surgi a dúvida: - Por que avenida São João e avenida Ipiranga? Calma Caetano! Eu tentarei te ajudar.

E o que será que Caetano Veloso não entendeu? O que será que era tão complexo em “Sampa” que o fez compor essa música.Eu tenho uma suposição: Caetano Veloso andava radiante pela Cidade de São Paulo, quando cruzou as duas avenidas e “pimba”!!!Eis que surgi a dúvida: - Por que avenida São João e avenida Ipiranga? Calma Caetano! Eu tentarei te ajudar.
Quantas pessoas iguais ao nosso estimado amigo Caetano já passaram por uma rua olharam a placa que indica seu nome e não se perguntaram: - mas...Por que esse nome? Pensando nisso, foi elaborado um site que conta a história de quase todas as ruas de São Paulo, aliás, um site muito bacana. Vamos pegar como exemplo a “suposta” dúvida do senhor Caetano Veloso, e vamos contar com as palavras desse site chamado “dicionário de ruas” (2) as histórias das avenidas São João e Ipiranga.
Atenção senhores passageiros com destino ao passado, apertem seus cintos,pois faremos uma viagem delíciosa pelo maravilhoso e complexo mundo da história!
Avenida São João – República (2)
história da Avenida São João remonta a 1651. Naquele ano, os paulistanos Henrique da Cunha Gago e Cristóvão da Cunha solicitaram à Câmara Municipal a doação de terrenos na área delimitada pelos Ribeirões Anhangabaú e Yacuba. Nascia assim uma tosca trilha de terra batida que fazia a ligação dessas propriedades com a chamada colina histórica de São Paulo. Com o passar do tempo, esse rústico caminho passou a ser conhecido como "Ladeira do Acú", numa abreviação de Yacuba. A ladeira iniciava-se no antigo Largo do Rosário - atual Praça Antonio Prado - e terminava nas proximidades do Largo do Paissandú. Desse ponto em diante, ela transformava-se na "Estrada de Jundiaí", caminho muito utilizado por tropeiros que seguiam em direção ao interior do Estado. Para transpor o Ribeirão Anhangabaú, existia uma ponte conhecida como "Ponte do Acú". Por isso a Ladeira do Acú era também conhecida como "Ladeira da Ponte do Acú". E como Ladeira do Acú, a São João permaneceu durante todo o século XVIII. E por que São João? De fato, trata-se de uma homenagem a São João Batista, considerado o "protetor das águas" na tradição católica. Buscando as raízes dessa homenagem, verificamos que os cursos d'água que cruzavam a antiga "Ladeira" eram considerados perigosos para os antigos paulistanos: Yacuba ou Acú, significa em Tupi "Água Envenenada"; esse córrego margeava o atual edificio dos Correios e desaguava no Anhangabaú que, também no Tupi, significa "Águas Assombradas" ou Águas do Diabo". Não obstante a questão do perigo das águas, devemos nos lembrar que as encostas do Vale do Anhangabaú, no final do século XVIII e início do século XIX era uma região de matas e local onde se escondiam assaltantes e escravos fugidos. Por tudo isso, as procissões em homenagem a São João Batista tinham como roteiro certo uma passagem pela Ladeira do Acú. Assim a tradição tomou vulto e a Ladeira passou a ser conhecida como "Ladeira de São João Batista". No dia 28/11/1865, o vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra sugeriu que a ladeira "da ponte do Acú" fosse denominada como "Ladeira de São João". Mais tarde, ela se transformou em Rua e, depois, em Avenida São João. Entre 1910 e 1937, sucessivas reformas, alargamentos e prolongamentos foram realizados. Numa de suas últimas reformas, entre as décadas de 80 e 90, a construção do novo "Vale do Anhangabaú" alterou o seu início, dando origem ao "Boulevard São João".

Avenida Ipiranga – Consolação (2)
A atual Av. Ipiranga originou-se com a união de dois famosos “becos” que existiam na antiga São Paulo. O 1º deles era o “Beco do Mata-Fome” (trecho entre as atuais Ruas Araújo e Consolação), já aberto desde finais do século XVIII e muito utilizado por tropeiros que conduziam o gado proveniente do interior e que seguiam em direção do antigo Matadouro localizado no bairro da Liberdade. Provavelmente derive daí o seu nome: Beco do Mata-Fome porque por ele passava o gado que forneceria a carne para “matar a fome” dos paulistanos. O 2º, existente desde os primeiros anos do século XIX, era o “Beco dos Curros”, numa continuação do primeiro e que o ligava ao antigo “Largo dos Curros”, atual Praça da República. No dia 28/11/1865, a Câmara Municipal de São Paulo determinou a abertura de uma nova rua que teria início no Beco do Mata-Fome, seguiria pelo traçado do Beco dos Curros, passaria pela Praça da República e, cruzando a Av. São João, terminaria na antiga “Rua Alegre” – atual Av. Cásper Líbero. O nome “Ipiranga” foi aplicado ao novo logradouro em decorrência do fato de que na mesma época (1865), formou-se em São Paulo uma Comissão Nacional para a construção de um monumento na colina do Ipiranga (no bairro de mesmo nome), com a finalidade de perpetuar o ato de D. pedro I que proclamou a Independência do Brasil naquele local em 7 de Setembro de 1822. Com a designação de “rua”, a Ipiranga permaneceu até meados dos anos 30. Por essa época, começaram a ser abertas as grandes avenidas em São Paulo. Em 1934, ela passou a ser oficialmente uma “Avenida”, por conta dos trabalhos de alargamento de seu leito que somente foram concluídos entre 1938 e 1940.
Curiosidade, segundo meu amigo “ponta firme” Aurélio, é um individuo que desejo ver, ouvir, saber algo novo ou pouco conhecido. Esse Aurélio sabe de tudo!
Claro que o estimado leitor deve ter compreendido que usei a figura de Caetano Veloso e sua música Sampa, apenas como ilustração. O fato é que realmente muitos paulistas ou paulistanos pouco conhecem do nosso Estado,mas com este site conseguiremos encontrar histórias maravilhosas.Lembro-me de uma certa vez onde um amigo meu me orientou: - Wagner, curiosidade mata! E eu respondi quase em tom “profético”: - Curiosidade não mata,ensina!
Felicidades!
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Referências:
1- Música de Caetano Veloso - Sampa
2- Site: www.dicionarioderuas.com.br/


