Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Curiosidade não mata, ensina!


Foto da avenida São João em 1940
por Wagner Borella



“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi” (1)


E o que será que Caetano Veloso não entendeu? O que será que era tão complexo em “Sampa” que o fez compor essa música.Eu tenho uma suposição: Caetano Veloso andava radiante pela Cidade de São Paulo, quando cruzou as duas avenidas e “pimba”!!!Eis que surgi a dúvida: - Por que avenida São João e avenida Ipiranga? Calma Caetano! Eu tentarei te ajudar.

Quantas pessoas iguais ao nosso estimado amigo Caetano já passaram por uma rua olharam a placa que indica seu nome e não se perguntaram: - mas...Por que esse nome? Pensando nisso, foi elaborado um site que conta a história de quase todas as ruas de São Paulo, aliás, um site muito bacana. Vamos pegar como exemplo a “suposta” dúvida do senhor Caetano Veloso, e vamos contar com as palavras desse site chamado “dicionário de ruas” (2) as histórias das avenidas São João e Ipiranga.

Atenção senhores passageiros com destino ao passado, apertem seus cintos,pois faremos uma viagem delíciosa pelo maravilhoso e complexo mundo da história!


Avenida São João – República (2)


história da Avenida São João remonta a 1651. Naquele ano, os paulistanos Henrique da Cunha Gago e Cristóvão da Cunha solicitaram à Câmara Municipal a doação de terrenos na área delimitada pelos Ribeirões Anhangabaú e Yacuba. Nascia assim uma tosca trilha de terra batida que fazia a ligação dessas propriedades com a chamada colina histórica de São Paulo. Com o passar do tempo, esse rústico caminho passou a ser conhecido como "Ladeira do Acú", numa abreviação de Yacuba. A ladeira iniciava-se no antigo Largo do Rosário - atual Praça Antonio Prado - e terminava nas proximidades do Largo do Paissandú. Desse ponto em diante, ela transformava-se na "Estrada de Jundiaí", caminho muito utilizado por tropeiros que seguiam em direção ao interior do Estado. Para transpor o Ribeirão Anhangabaú, existia uma ponte conhecida como "Ponte do Acú". Por isso a Ladeira do Acú era também conhecida como "Ladeira da Ponte do Acú". E como Ladeira do Acú, a São João permaneceu durante todo o século XVIII. E por que São João? De fato, trata-se de uma homenagem a São João Batista, considerado o "protetor das águas" na tradição católica. Buscando as raízes dessa homenagem, verificamos que os cursos d'água que cruzavam a antiga "Ladeira" eram considerados perigosos para os antigos paulistanos: Yacuba ou Acú, significa em Tupi "Água Envenenada"; esse córrego margeava o atual edificio dos Correios e desaguava no Anhangabaú que, também no Tupi, significa "Águas Assombradas" ou Águas do Diabo". Não obstante a questão do perigo das águas, devemos nos lembrar que as encostas do Vale do Anhangabaú, no final do século XVIII e início do século XIX era uma região de matas e local onde se escondiam assaltantes e escravos fugidos. Por tudo isso, as procissões em homenagem a São João Batista tinham como roteiro certo uma passagem pela Ladeira do Acú. Assim a tradição tomou vulto e a Ladeira passou a ser conhecida como "Ladeira de São João Batista". No dia 28/11/1865, o vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra sugeriu que a ladeira "da ponte do Acú" fosse denominada como "Ladeira de São João". Mais tarde, ela se transformou em Rua e, depois, em Avenida São João. Entre 1910 e 1937, sucessivas reformas, alargamentos e prolongamentos foram realizados. Numa de suas últimas reformas, entre as décadas de 80 e 90, a construção do novo "Vale do Anhangabaú" alterou o seu início, dando origem ao "Boulevard São João".



Avenida Ipiranga – Consolação (2)


A atual Av. Ipiranga originou-se com a união de dois famosos “becos” que existiam na antiga São Paulo. O 1º deles era o “Beco do Mata-Fome” (trecho entre as atuais Ruas Araújo e Consolação), já aberto desde finais do século XVIII e muito utilizado por tropeiros que conduziam o gado proveniente do interior e que seguiam em direção do antigo Matadouro localizado no bairro da Liberdade. Provavelmente derive daí o seu nome: Beco do Mata-Fome porque por ele passava o gado que forneceria a carne para “matar a fome” dos paulistanos. O 2º, existente desde os primeiros anos do século XIX, era o “Beco dos Curros”, numa continuação do primeiro e que o ligava ao antigo “Largo dos Curros”, atual Praça da República. No dia 28/11/1865, a Câmara Municipal de São Paulo determinou a abertura de uma nova rua que teria início no Beco do Mata-Fome, seguiria pelo traçado do Beco dos Curros, passaria pela Praça da República e, cruzando a Av. São João, terminaria na antiga “Rua Alegre” – atual Av. Cásper Líbero. O nome “Ipiranga” foi aplicado ao novo logradouro em decorrência do fato de que na mesma época (1865), formou-se em São Paulo uma Comissão Nacional para a construção de um monumento na colina do Ipiranga (no bairro de mesmo nome), com a finalidade de perpetuar o ato de D. pedro I que proclamou a Independência do Brasil naquele local em 7 de Setembro de 1822. Com a designação de “rua”, a Ipiranga permaneceu até meados dos anos 30. Por essa época, começaram a ser abertas as grandes avenidas em São Paulo. Em 1934, ela passou a ser oficialmente uma “Avenida”, por conta dos trabalhos de alargamento de seu leito que somente foram concluídos entre 1938 e 1940.

Curiosidade, segundo meu amigo “ponta firme” Aurélio, é um individuo que desejo ver, ouvir, saber algo novo ou pouco conhecido. Esse Aurélio sabe de tudo!

Claro que o estimado leitor deve ter compreendido que usei a figura de Caetano Veloso e sua música Sampa, apenas como ilustração. O fato é que realmente muitos paulistas ou paulistanos pouco conhecem do nosso Estado,mas com este site conseguiremos encontrar histórias maravilhosas.Lembro-me de uma certa vez onde um amigo meu me orientou: - Wagner, curiosidade mata! E eu respondi quase em tom “profético”: - Curiosidade não mata,ensina!

Felicidades!




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Referências:

1- Música de Caetano Veloso - Sampa




Sábado, 30 de Maio de 2009

Brasil desquitado da decência



por Wagner Borella


“Para tirar... meu Brasil dessa baderna...
Só quando o morcego doar sangue e o
saci cruzar as pernas...
(1)



Brasil...Meu Brasil brasileiro, terra de Portinari roubado e deputado esculachado. O mesmo que dá orgulho aos brasileiros que vestem a camisa em época de copa do mundo, é o mesmo que as vezes faz os cidadãos terem vontade de enfiar a cabeça em baixo da terra.

Petrobras

Em 1953, no governo de Getúlio Vargas, foi criada a Petrobras, hoje uma das maiores empresas do mundo. Empresa que o meu avô, o seu tio ,pai ,mãe, enfim, todos os brasileiros que ajudaram no crescimento da “antiga” estatal. Essa empresa, que não deixa de ser um orgulho brasileiro, virou alvo de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito).


Uma das acusações é o superfaturamento da estatal de pelo menos R$ 230 milhões em contratos.Isso resultou em uma investigação do TCU (tribunal de contas da união).O próprio Lula admitiu que a Petrobras é uma “caixa preta”.

Por outro lado...

Em entrevista à Folha de São Paulo, José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, respondeu que parte das informações usadas nas denúncias são fornecidas pelo site da Petrobras e que a CPI não tem foco. Veja um trecho da entrevista abaixo.

Folha - A Petrobras é uma caixa preta?

José Sergio Gabrielli - Uma parte substantiva das informações que estão sendo usadas nas denúncias é coletada de sites da Petrobras, de livre acesso. Isso contradiz que a Petrobras seja uma caixa preta.

A questão é: Uma CPI não prejudicaria a imagem da Petrobras que já se consolidou? Pois isso seria uma mancha gigante para empresa, mancha que afastaria possíveis negociadores e investidores.Claro que os mais otimista vão dizer que qualquer empresa com o porte da Petrobras é alvo de fiscalização,mas que causa um mal estar,causa.

Como diria Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”



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Books


Depois de lançar o livro didático no qual existem dois Paraguai, o governo com o projeto de alfabetização chamado “Ler e Escrever”, - que não deixa de ser um incentivo bacana para meninada , colocou em circulação nas escolas da rede pública livros que continham palavrões, inadequação etária e até teor preconceituoso.

Oh... Caso de Polícia! (2)


28/05

Folha revela que governo de São Paulo enviou à 3º série livros para adolescentes. A obra Coletânea: “Poesia de hoje para leitores de agora”é inadequado para essa faixa etária. Nesse mesmo livro, continha uma ironia do tipo “Nunca ame ninguém, estupre”
Número de exemplares entregues: 1.333


19/05

A secretária de São Paulo distribui livros com palavrões. A obra “Dez na área, Um na banheira e nenhum no gol”
Número de exemplares entregues: 1.216



Vergonha: Segundo meu camarada Aurélio(3), nada mais é do que, sentimento penoso de desonra ou humilhação perante outrem. Pois é, e eu que também sou brasileiro e vivo nessa terra intitulada por “Brasil um pais de todos” prefiro ir naquele velho dito popular: “Quem pode,pode...Quem não pode se sacode. E toca a bola Romário. Acelera Rubinho. Vamos que vamos, Brasil...sil...sil...”


Felicidades!!!
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Referências:

1- Música: "Quando morcego doar sangue" de Bezerra da Silva

2- Fonte: Jornal Folha de São Paulo

3- Dicionário Aurélio