quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ela vive em minha alma



Olhar parado, olhando a chuva que bate no vitron, naquela Segunda-feira cinza de um inverno rigoroso. Eu não sei quando ela partiu, quando me tornei triste e isolado com meus próprios pensamentos, mas eu sei que em algum lugar ela está lá, esperando a hora de novamente brilhar, sorrir, correr e sujar os sapatos nas poças de lama depois de um dia inteiro brincando na praça que há em frente a casa que um dia foram de meus avós.

Eu sei que em algum lugar distante ela dorme tranquila, sem pressa, sabe admirar a natureza e corre atrapalhada até perder o fôlego atrás das borboletas que alegram as primaveras coloridas. Queria mesmo é comer os doces feitos pela vovó ou correr atrás das pipas que enfeitam e bailam no céu azul da cor do mar. Lembro-me do mar...Lembro-me do olhar dela entusiasmada ao ver pela primeira vez...O mar...Ah,o mar! Pular todas as ondinhas que têm direito, fazer castelos de areia e observar o romântico pôr–do- sol.

Ela foi e nem me dei conta, não me atrelei a data, lembro que ela foi tão rápido que não pude me despedir. Mas todos são bobos, ingênuos e quando à tem na mão; à despreza. Pobres mortais tolos e maledicentes que infelizmente me incluo. Não sabem dar valor à ela nem a vida.

Um certo dia quando sol já se recolhia para dar lugar a noite que encantava com a sua dama mais bela: a lua. Resolveu sair pela rua à tentar ver onde o sol se escondia quando partia, andou quilômetros horizonte à fora...Quando chegou em casa exausta de sua aventura, a mulher carrasco na adolescência e hoje sua melhor amiga, deu-lhe o devido castigo pela travessura, mas mesmo com a palma da mão marcada em sí, na cama, pensou em como o sol, mesmo enorme, era tão rápido e se escondia com tanta facilidade. Nunca enfim, soube onde o sol havia se escondido.

Por um momento, fez-se o silêncio, não havia bicicletas, bolas ,carrinhos de rolimã, pega-pega e corridas na chuva. As necessidades do dia a dia formaram um nevoeiro em sua vista, o capitalismo mais do que selvagem, invadiu o seu tempo, aliás o tempo já era tomado, por diversas obrigações, como uma metástase que judia do organismo. Era a sua vez... Fecharam-se as cortinas e tudo que lhe restava era a solidão de um dia chuvoso e o estresse da Segunda-feira.O olhar que antes via as borboletas e admirava as cores do arcoíris, hoje olha com pressa. Na alma traz cicatrizes e no peito a dolorosa vontade que ela retorne. Mas eu sei que ela está lá, não sou nenhum demente que tem delírios absurdos, sei que ela está lá...Como a brasa que queima lentamente, mas não se apaga...



Ela...É a criança que existe dentro da minha alma. É aquela do olhar vivo, de sonhos e de planos. Ela sorri todas as manhãs suplicando liberdade, pedindo que eu olhe com calma a vida, porque como diria o poeta : "A vida é curta”.

É nesse exato momento que ela olha admirada o céu e se espreguiça lentamente. Aproveita o mais lúcido momento e respira a liberdade...Fecha os olhos e deixa o vento fresco da manhã bater suavemente em seu rosto e diz para o universo em alto e bom som:

- Viva a liberdade que arde dentro desse corpo cansado da repressão social.

domingo, 13 de setembro de 2009

As várias faces culturais de São Paulo


A diversidade cultural em São Paulo, gera um leque de opções para quem mora na cidade. A moda alienada a essa diversidade cria um lado charmoso da cidade que torna-se democrática neste sentido. A economia brasileira está crescendo mesmo após uma recessão e com isso a população paulista passa a ser mais exigente, e passa a querer estar dentro das tendências da moda, mas apenas isso não basta, as pessoas querem estar bem vestidas dentro de laços na qual se insira a suas ideologias.


Se caminharmos pelos quatro cantos da cidade podemos observar com muita facilidade as variáveis da moda, um exemplo dessa variável é a periferia, na qual o movimento hip hop tem uma forte tendência à influenciar os jovens: Calças baggy, tênis de esqueitista, lenços na cabeça, cabelo black power e camisas ligadas ao movimento. Com esse vestuário o jovem da periferia se identifica ideologicamente e passa a aderir esse estílo que está muito ligado à cultura norte americana.


Entre 1940 e 1950 surgiu nos subúrbios dos Estados Unidos da América o Rock,, que logo ganhou força em todo mundo. No Brasil não poderia ser diferente, o “estílo roqueiro” que já foi hostilizado pela sociedade hoje ganha ares de moda e é na famosa galeria do Rock, no centro da cidade, entre diversos estilos, encontramos os jovens roqueiros: Roupas preta, coturno e cabelos longos fazem a ligeira identificação dessa turma.


Entre bares e cafés que dão um ar de intelectualidade, está localizado a Vila Madalena, onde a turma utiliza o “estílo alternativo”. Entre roupas coloridas e o renascimento do tênis all star, esses jovens desfilam nas ruas desse bairro que é um dos mais movimentados das noites paulistas.


Um dos contraste culturais mais ferozes é a avenida paulista, maior centro econômico do país, que trás à cidade o seu lado mais sério, com ternos e gravatas. A roupa social é indispensável para os grandes empresários que transformam a grande avenida em uma passarela.

Etnocentrismo x Relativismo cultural


Mas a grande questão é: - Essas diversidades culturais estão ligadas ao etnocentrismo ou ao relativismo cultural? Com essas variações de tribos que desfilam pela cidade, é muito frequente assistirmos nos noticiários guerras de grupos que não identificam-se, sejá punk, hip hop, roqueiro e etc...O fato é que essas ganges não fazem parte desses grupos, são apenas arruaceiros que encontram uma forma de fazer vandalismo na cidade. Um exemplo evidente que temos de relativismo cultural é a própria galeria do rock, que citamos anteriormente, essa galeria concentra no mesmo ambiente a turma do rock, hip hop, punks e do reggae. Dessa forma podemos chegar a conclusão que o relativismo cultural e o respeito que há entre esses jovens e adultos ultrapassa as fronteiras do etnocentrismo, criando enfim, uma sociedade democrática e civilizada.


Para quem mora em São Paulo, comemore essa democratização de estilos que fazem a nossa cidade muito mais encantadora e atraente. Como diriam: - Abuse e use!

Felicidades!